CONGEAPA E O FUTURO DA APA

Dada sua importância, a lei também criou um conselho gestor da APA, o CONGEAPA, que também foi regulamentado por um decreto. Essas legislações garantem a este conselho “caráter consultivo, deliberativo e fiscalizador e tem por objetivo promover a participação autônoma e organizada da comunidade no processo de definições da política de desenvolvimento local e no acompanhamento de sua execução...”. Dessa maneira fica evidente a importância deste conselho na dinâmica, não apenas da APA, mas de toda a região.
Nos últimos tempos esse conselho enfrenta inúmeros problemas de ordem jurídica e organizativa, basicamente por tentativas reiteradas da prefeitura (e suas diversas administrações que passaram por lá nos últimos anos) em tentar controlar e anular as atividades do CONGEAPA. O último ataque ao conselho foi quando, de maneira evidentemente absurda e ilegal, a SANASA tentou participar do conselho como entidade do terceiro setor. Sim, como entidade da sociedade civil! Mais uma vez o Judiciário teve que intervir e o prefeito fez um decreto às pressas para resolver a questão, desfazendo o absurdo e destravando o conselho.

Ocorre que, mais uma vez, a prefeitura volta à carga contra a autonomia do CONGEAPA, ao apresentar como candidato a presidência o representante da SANASA. O Executivo municipal deve participar e contribuir com o conselho, mas não pode controlá-lo, da mesma maneira o setor empresarial com interesses na região. O conselho deve ser um espaço do encontro e da discussão de ideias para atingir os objetivos da APA. Porém, o conselho é, entre outras atribuições, um órgão de fiscalização, como dispõe a legislação. Ora, como fazer uma fiscalização eficiente das ações, seja do poder público, seja do setor empresarial com os mesmos detendo o controle das pautas e encaminhamentos do conselho? Pode ser inocência ou má-fé acreditar que isso é possível com esses setores controlando o CONGEAPA ou qualquer conselho.
Infelizmente a prefeitura tem partidarizado todas as discussões a que se referem o tema. Qualquer crítica ou ponderação às políticas implementadas é tratado pela atual gestão como “coisa da oposição” ou buscam a desqualificação de pessoas e entidades que querem o uso racional dos nossos recursos naturais já escassos, como é o caso da nossa água. A única partidarização que podemos admitir nessas discussões é das pessoas que tomam partido do desenvolvimento sustentável, pois os fatos mostram que também há os filiados ao partido da depredação da APA e sua transformação em um grande mosaico de condomínios fechados trazendo inúmeros impactos a nossa qualidade de vida.
Rafael Moya
Advogado, mestre em engenharia urbana e ex-presidente do COMDEMA e conselheiro do CONGEAPA.
Um comentário:
RAFAEL, BOA TARDE, GOSTARIA DE SABER SE TEM EXPERENCIA COM PROJETOS DE TANQUES REDES
VI SE NOME EM UMA REPORTAGEM, PRECISAVA TIRAR UMAS DUVIDAS SOBRE O PROCESSO DE LICENCIAMENTO
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